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Novo rotativo do cartão entra em vigor

03.04.2017

O setor de cartões entra em um ciclo “mais favorável”, nas palavras dos principais “players” do segmento e do próprio regulador. A partir de hoje, o uso do rotativo do cartão de crédito está limitado ao período máximo de 30 dias. Assim, aquele que paga algo acima de 15% e abaixo de 100% da fatura terá como alternativa quitar o débito ou aceitar uma linha parcelada a ser oferecida pelo banco.

 

A expectativa do setor é que as taxas do novo rotativo caiam cerca de 50% em relação ao rotativo atual – para algo um pouco acima de 200% ao ano. Em fevereiro, segundo o Banco Central, a taxa de juro do rotativo do cartão de crédito caiu 5,2 pontos, do recorde de 486,7% em janeiro para 481,5%. Já a taxa de juros do parcelado do cartão subiu em 1,6 ponto percentual, para 163,5%.

 

Com a mudança, especialistas alertam para que o consumidor tome cuidado para não acabar se perdendo com diversas linhas parceladas. A velha máxima de que o cartão é um meio de pagamento, e não de financiamento, também segue bastante válida.

 

Os modelos do novo crédito rotativo mudam um pouco de banco para banco e fazer com que os clientes entendam as condições é o grande desafio. Em linhas gerais, em quase todos os casos o pagamento mínimo da fatura vai ficar mais alto para quem escolher essa opção, pois inclui o que entrou no rotativo no mês anterior. As taxas também variam de instituição a instituição, com teto ao redor de 9,9% ao mês – ou 210% ao ano.

 

Especialistas dizem que a restrição do prazo que o consumidor pode ficar pendurado no rotativo do cartão tende a ser benéfica, pois irá direcioná-lo para uma linha mais barata – mas pode ser uma armadilha se não houver um redimensionamento do orçamento familiar. Segundo Eliane Tanabe Deliberali, planejadora financeira pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros), o parcelamento precisa ser de um tamanho que caiba no bolo de despesas mensais. Caso contrário, o devedor corre o risco de contratar vários contratos sucessivamente.

 

“Parece boa a medida, mas desde que feita de forma efetiva, com um bom planejamento financeiro”, afirma Eliane. Conforme exemplifica, se o saldo devedor é de R$ 5 mil e ele opta pelo pagamento em cinco vezes, esse compromisso de R$ 1 mil precisa estar dentro da conta de tudo o que entra de receita e aquilo que se gasta mensalmente. Não vale usar a margem extra aparente aberta no orçamento, por conta dos juros menores, para fazer novos gastos. “É preciso entender que, apesar da taxa menor, se ele não saldar esse crédito parcelado, não vai resolver a vida.”

 

A especialista lembra que nesses tempos de atendimento bancário remoto é muito fácil ao tomador buscar um novo crédito parcelado quando percebe que não vai conseguir pagar aquele que veio na fatura. “Daí no mês seguinte vai ter duas parcelas para pagar, e se não conseguir vai pegar um terceiro, começa a se perder, esse é o grande risco.”

 

Para Marcelo d’Agosto, colunista do Valor, os juros são altos e continuarão elevados, a despeito da mudança das regras porque os bancos não objetivam financiar os gastos de clientes por meio do cartão. “É importante que o consumidor não se anime e pesquise outras opções de financiamento”, diz. “Cartão de crédito é só um meio de pagamento, não dá para contar com financiamento da fatura.” Em dezembro, o rotativo somava R$ 38 bilhões, ou 2,4% da carteira de crédito pessoa física.

 

fonte: Valor Econômico

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